Às vezes, nós nos surpreendemos com a notícia de que algum casal que conhecemos se separou. Ficamos perplexos, porque nada neles aparentava distância. Por outro lado, há casais em que não depositamos a mínima fé e, ainda assim, mantêm-se juntos por toda uma vida. Na verdade, ninguém sabe o que se passa entre quatro paredes de vidas que não são nossas.

Não existe riqueza maior, a um casal, do que a intimidade e é ali, no cotidiano dos relacionamentos, na cumplicidade que constroem ou destroem, que reside todo o desenrolar da afetividade que decidiram juntar. Os sentimentos transbordam ou mínguam, crescem ou rareiam, perduram ou não, de acordo com a disposição e o comprometimento de cada um dos envolvidos.

Nada sobrevive sem alimento, cuidados e atenção constantes, nem mesmo o amor que parece eterno. É preciso querer ficar junto, é preciso, antes mesmo de ser fiel, viver a lealdade em todos os minutos em que estiverem juntos. É necessário entendimento, mudança de direção, quebra de paradigmas, procurar pelo olhar do outro, enxergando-o como uma pessoa, um mundo de sentimentos, como alguém que luta e torce junto.

Na verdade, quando optam pela separação, a maioria dos casais já estava separada há muito tempo; apenas lhes faltava a coragem, a consciência, a aceitação de que ali não havia mais nada pelo que lutar. Mesmo que digam haver gente que desiste fácil demais da manutenção do relacionamento, muitos de nós lutamos até o fim, desgastando-nos, agarrando-nos ao pouco que temos, às migalhas que o outro deixa pelo caminho, porque queremos dar certo na vida, no amor. A não ser que uma decepção por demais aviltante e insuportável ocorra.

Por essa razão é que não podemos julgar as pessoas, pois pouco sabemos de suas vidas, de suas histórias, de suas lutas, de suas escuridões. Fato é que amor algum consegue suportar tudo, pois o amor tem a medida exata da dignidade que nos sobra ao final do dia. Quando sobra muito pouco ou um nada, a separação já está se dando. E então já deu.

Imagem: Hutomo Abrianto



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