Muitos de nós temos certa dificuldade em dizer não, seja no trabalho, seja na família, seja na vida. É como se sentíssemos culpa por negar algo ao outro. É como se o outro fosse ficar ofendido, magoado, e a gente não quisesse ninguém magoado conosco. Eis o problema maior: para pouparmos os outros, muitas vezes acabamos não nos poupando de algo que vai tirar a nossa paz.

 

Muito desse comportamento tem a ver com nossa autoestima baixa, com nosso complexo de inferioridade, com essa necessidade descabida de que as pessoas não podem ficar chateadas conosco. Quando baseamos nosso valor apenas no que vem de fora, acaba nisso. Esse pensamento nos impede de nos valorizar, de conseguirmos entender que nossas prioridades também valem alguma coisa. Se priorizarmos apenas o outro, a gente se anula por completo.

 

E os outros percebem que não nos sentimos nossa própria prioridade. Com isso, eles se impõem como a prioridade de todas as pessoas nulas, vulneráveis, frágeis. Porque existem muitas pessoas que farejam a fragilidade alheia e usam-na a seu bel-prazer, excedendo todo e qualquer limite razoável. Irão te atropelar, te sugar, te exaurir, até a última gota, pois é assim que vivem. São parasitas de energia física e emocional, manipulam nossa boa-fé de forma covarde.

 

 

Não podemos temer dizer não, quando temos que dizê-lo. Se prestarmos atenção, tem um monte de gente se negando a fazer o que não acha viável e nem por isso são detestadas pelas pessoas. Temos que parar de acabar com nossa saúde, enquanto os bonitos sugadores se aproveitam disso e permanecem plenos e saudáveis por aí. Valorize-se, ame-se, saiba quais são os seus limites e não tenha dúvidas quanto ao que você merece. Quem se melindrar com seu comportamento que lute. Não é sua essa luta.

 

Imponha-se, ou o mundo te engole, as pessoas também. Às vezes, você precisa fingir que não ouviu. Mas, em determinadas situações, será preciso deixar claro que você ouviu, que você não gostou e que aquilo não se repita. Limites devem ser explícitos, porque tem muita gente folgada nesse mundo.

 

Imagem: Fábio Alves

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