Todo mundo se decepciona com as pessoas. Faz parte do envolvimento afetivo criar expectativas que se quebram. É dessa forma que conseguimos manter por perto quem merece e nos afastar de quem faz mal. Pessoas são imprevisíveis e nem sempre corresponderão ao que esperávamos delas. Outras vezes, elas nos surpreenderão positivamente e isso é o que importa.

 

A dificuldade em se relacionar é fato inconteste e, hoje, parece que isso está ainda mais evidente. O nível de tolerância parece estar diminuto, quase nulo, tamanha é a frequência com que relacionamentos amorosos e de amizade terminam. Tem-se a impressão de que, antigamente, tudo tinha um prazo de validade maior, tudo durava mais, desde sentimentos até objetos.

 

Não podemos nos esquecer de que, na questão de relacionamentos amoroso, no passado, havia certa pressão social quanto à manutenção do casamento, custasse o que custar. Muitas mulheres, mesmo oprimidas e infelizes dentro de seus lares, permaneciam ali por medo da discriminação que havia em relação à separação. Muitos relacionamentos chegavam às bodas de ouro por um caminho de insatisfação e falsidade, para se manterem as aparências que a sociedade exigia.

 

Quanto aos objetos, não tem como negar que a qualidade deles era infinitamente melhor. Móveis, enxovais, eletrodomésticos, duravam anos e atravessavam gerações. Mas a sistemática da economia, hoje, exige um consumismo desenfreado, em que o capital tem que girar; daí essa característica de descartável que se imprime aos produtos atuais. Não se conserta mais ferro de passar roupa, ou qualquer outro eletrodoméstico; joga-se fora e compra-se um novo.

 

 

Temos, portanto, que ter o cuidado de não tratar sentimentos como coisas, usando o descarte de maneira generalizada, em todos os setores de nossa vida. É preciso discernimento, para que possamos tentar entender as atitudes das pessoas, oportunizando novas chances, pois ainda existe quem erra e se arrepende de coração. Todo relacionamento requer ajustes e isso demanda tempo.

 

Com o tempo é que teremos a certeza do que o outro realmente pode ou não oferecer, se ele mudou ou não. E então poderemos nos distanciar seguramente de quem machuca sem parar. De quem faz conscientemente o que faz, repetidamente. Porque não tem essa de que a pessoa não fez por mal, não teve a intenção, não quis dizer aquilo. Quem te conhece sabe exatamente o que te magoa.

 

Imagem: Sinitta Leunen

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